Água na natureza, na vida e no coração dos homens

Na Natureza

O que é a água?

Evaristo Eduardo de Miranda1

 

 

Um mineral precioso e caprichoso

A água é um mineral2. Bastante abundante em nosso planeta, ele é raro no sistema solar e no universo conhecido. É condição essencial para a existência da vida. Ela é também um importante insumo dos mais variados processos produtivos. A água representa sempre mais da metade da composição dos viventes Ao contrário de outros minerais, como a areia, as pedras, o ferro e o petróleo, a água está tão associada à vida que é comum a expressão "águas vivas". Sem água, não pode haver vida. Como a certeza da morte, os humanos esquecem disso com freqüência.

Um pouco como Deus e nem sempre de forma visível, a água está presente em toda a parte neste úmido planeta: no ar, nas rochas, nos rios, na intimidade das células vivas, nos vegetais, nas calotas polares e no corpo dos seres animados. Até no meio do fogo existe muito vapor de água. Ela é um mineral diferente, cheio de recursos, passes de mágica e astúcias. Apesar de sua essencial necessidade, os humanos nunca souberam exatamente do quê se tratava. Aqui também, um pouco como Deus. Demorou para a humanidade descobrir do quê era feita a água. Se Deus é feito de amor, a água é composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Faz menos de 300 anos que sabe-se disso, após milhões de anos de absoluta ignorância metafísica.

A descoberta da composição química da água foi o fruto de pesquisas e experiências, como as do francês Antoine Lavoisier3. Ele conseguiu produzir água a partir dos dois gases: oxigênio e hidrogênio. Num caminho inverso ou a contracorrente, seguindo uma estrada mais meridional e menos trágica, o italiano Alessandro Volta,4 através da eletricidade, conseguiu decompor a água nos dois gases.

A água é indefinível. É fácil atribuir muitos qualitativos. Fica-se sempre muito aquém de sua complexa e inatingível personalidade. Um pouco como o divino. Ela pode ser caracterizada, primariamente, por seus três estados: gasoso, sólido e líquido, entre os quais vive circulando. A água também pode ser descrita por uma série de parâmetros. Coisa para laboratórios, papilas e olfatos sensíveis. Esses parâmetros qualificam a água, seus usos e aplicações: dissolução, capacidade térmica, tensão superficial, capilaridade, pH, capacidade tampão, dureza, salinidade, turbidez, cor, odor e sabor. Uma análise padrão de qualidade da água em laboratório considera 33 indicadores físicos, químicos e microbiológicos. Desses, nove compõem o Índice da qualidade das águas (IQA): oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DQO), coliformes fecais, temperatura da água, pH da água, nitrogênio total, fósforo total, sólidos totais e turbidez.


1 Doutor em ecologia, pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite e autor de vários livros no campo da espiritualidade cristã.

2 As partes iniciais deste artigo resumem alguns capítulos do livro de minha autoria: "A água na natureza e na vida dos homens. Ed. Santuário/ Idéias & Letras. S. Paulo. 2004."

3 Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794), químico francês, criador da química moderna. Descobriu a natureza e o papel do oxigênio, estabeleceu a composição da água e lançou as bases da bioquímica moderna demonstrando que a respiração é uma forma de combustão de compostos de carbono. Foi guilhotinado na barbárie da "Revolução Francesa".

4 O conde Alessandro Volta (1745-1827), físico italiano, realizou numerosas descobertas a partir da eletricidade, entre as quais a pilha elétrica (1800), que leva seu nome assim como a medida de tensão elétrica, a voltagem. Não morreu na cadeira elétrica pois esta só foi inventada séculos mais tarde pelo norte-americano Thomas Edson, o mesmo das lâmpadas e de outras invenções, mais ou menos mortíferas e lucrativas.


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MIRANDA, E. E. de. Água na natureza, na vida e no coração dos homens. Campinas, 2004. Disponível em: <http://www.aguas.cnpm.embrapa.br>. Acesso em: 02 abr. 2004

 

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Atualizado em 17/02/2004